Jornada do paciente em oncologia: lições e aprendizados do Hospital do GRAACC

A jornada do paciente em oncologia reúne etapas assistenciais que exigem coordenação, agilidade e uma visão muito clara dos processos. Consultas, exames, internações, administração de medicamentos, protocolos clínicos e disponibilidade de leitos fazem parte de um fluxo no qual diferentes áreas precisam trabalhar de maneira conectada e, muitas vezes, tomar decisões em intervalos bastante curtos.

Foi justamente para mostrar como é possível utilizar dados para apoiar essa realidade que a equipe do Hospital do GRAACC compartilhou sua experiência com a jornada do paciente em oncologia em uma edição recente do Weknow Talks

Durante o encontro, Sandra Shiramizo, gestora de Projetos e Processos, e Erick Ribeiro, analista de BI da instituição, apresentaram a evolução da área de Inteligência de Dados e mostraram como indicadores e dashboards passaram a fazer parte da rotina das equipes.

E, para além de apresentar tecnologia, a conversa trouxe aprendizados importantes para outros gestores da saúde: a necessidade de compreender o processo antes de criar um indicador, a importância de tornar a informação simples para quem está na assistência e o potencial dos dados quando eles deixam de ser apenas registros históricos e passam a apoiar decisões concretas. 

No artigo de hoje, nos aprofundamos um pouco melhor nessa experiência.

O que o case do Hospital do GRAACC ensina sobre a jornada do paciente em oncologia?

O GRAACC atende, em média, cerca de 450 novos casos por ano, além de acompanhar pacientes que podem permanecer em tratamento na instituição durante dois ou três anos. Um cenário que ajuda a dimensionar a complexidade da operação, com novos pacientes chegando continuamente e outros percorrendo diferentes etapas de uma jornada de cuidado prolongada.

Nesse cenário, é natural que a gestão não possa olhar apenas para eventos isolados. É preciso compreender como cada processo interfere nos demais e quais informações ajudam as equipes a agir em cada momento.

Sandra e Erick explicam que essa visão aparece desde a forma como os indicadores são construídos e analisados. A equipe parte de uma demanda, mapeia o processo junto aos profissionais, entende onde e como os dados são registrados, analisa sua qualidade, desenvolve uma primeira visualização e só então inicia as validações.

Esse cuidado é importante porque mostra que a maturidade em dados não começa pelo dashboard. Antes dele, existe um esforço para entender como a jornada realmente acontece e para garantir que a informação represente a realidade vivenciada pelas equipes.

Por que o “simples” pode ser um direcionador para a assistência?

Um dos pontos que mais chamam atenção no caso do GRAACC é a preocupação em simplificar a informação. Em áreas administrativas, um gestor talvez possa dedicar alguns minutos a interpretar gráficos complexos. Na assistência, porém, esse tempo muitas vezes não existe.

Por isso, a lógica adotada pela instituição é criar visualizações que permitam compreender rapidamente o que está acontecendo e, principalmente, o que precisa ser feito.

Cores conhecidas, sinalizações intuitivas, poucos elementos visuais e informações diretamente relacionadas à ação esperada ajudam a diminuir o esforço de interpretação. Sandra conta que essa busca pela simplicidade se tornou uma espécie de direcionador para os painéis destinados às equipes assistenciais.

E vale reforçar que tornar um dashboard simples não significa tornar o processo simples. Pelo contrário: existe um trabalho considerável por trás da tela para que quem utilize a informação não precise lidar com toda essa complexidade.

Para a jornada do paciente em oncologia, essa diferença é relevante. Quando um indicador faz parte de um fluxo assistencial, o objetivo não deve ser impressionar pela quantidade de dados disponíveis, mas facilitar decisões que precisam acontecer no tempo adequado.

Dados confiáveis começam antes da construção do dashboard

Outro aprendizado importante do Hospital do GRAACC sobre a jornada do paciente em oncologia é referente ao processo de validação. 

No GRAACC, a construção de um indicador envolve tanto uma perspectiva técnica quanto uma validação junto às áreas responsáveis pelo processo. Isso significa que, primeiro, a equipe investiga como o dado é registrado, quais campos são utilizados, onde podem existir informações incompletas e se as variáveis realmente representam aquilo que se pretende medir. 

Só depois os resultados são confrontados com os registros dos sistemas e apresentados às áreas para uma nova validação. Ou seja, quem vivencia aquele processo precisa conseguir se reconhecer no indicador — um cuidado que ajuda a resolver um dos desafios mais recorrentes da gestão baseada em dados, que é quando um determinado painel está tecnicamente correto e, ainda assim, não traduz adequadamente a rotina assistencial.

A experiência compartilhada no Weknow Talks também reforça a importância da aproximação entre tecnologia e assistência. Profissionais que conhecem a realidade do cuidado ajudam a interpretar necessidades clínicas e operacionais, enquanto as equipes técnicas transformam essas necessidades em estruturas de dados, regras e visualizações: é dessa combinação que surgem indicadores realmente úteis.

Hora Dourada: quando dados ajudam a transformar o processo assistencial

Entre os exemplos apresentados no encontro, um dos mais significativos foi o protocolo de Hora Dourada, aplicado pelo Hospital do GRAACC a situações de sepse em pacientes oncológicos.

O objetivo estabelecido era garantir que pelo menos 70% dos pacientes elegíveis recebessem o antibiótico durante a primeira hora. Em determinado momento, o resultado estava em aproximadamente 60%, abaixo da meta definida pela instituição.

A partir de um trabalho conjunto que envolveu o mapeamento detalhado do fluxo, participação do Serviço de Controle de Infecção e do pronto atendimento, revisão dos processos e acompanhamento dos dados, o percentual de administração do antibiótico na primeira hora subiu para 86%.

O principal aprendizado desse exemplo talvez esteja justamente em não atribuir o resultado somente ao dashboard. O painel tornou as etapas mais visíveis e ajudou as equipes a acompanhar o fluxo, contudo, a evolução ocorreu associada à revisão do próprio processo.

Essa é uma distinção fundamental para qualquer instituição que deseja avançar na gestão da jornada do paciente em oncologia. Dados não corrigem processos sozinhos. Eles ajudam a revelar onde existem atrasos, desvios e oportunidades de melhoria para que as equipes possam agir.

Como os dados podem tornar a gestão de leitos mais inteligente?

A gestão de leitos foi outro tema abordado por Sandra e Erick. O painel utilizado pelas equipes do GRAACC permite acompanhar a ocupação hospitalar e a disponibilidade de leitos, criando uma visão que ajuda no planejamento das internações.

Mais do que responder quantos leitos estão ocupados naquele momento, a análise considera também informações que apoiam a visão dos próximos dias, como previsões de alta e necessidades futuras de internação.

Essa perspectiva amplia bastante o valor do indicador. Afinal, olhar apenas para a ocupação atual significa saber como está o hospital agora, enquanto incorporar informações sobre o fluxo esperado permite começar a responder como a instituição estará amanhã e quais ações precisam ser tomadas para acomodar os pacientes previstos.

Quando falamos de gestão em oncologia, essa capacidade é especialmente relevante porque a necessidade de internação pode envolver procedimentos programados e também intercorrências que demandam disponibilidade rápida de recursos.

Assim, indicadores de ocupação, altas previstas e demanda futura ajudam a transformar a gestão de leitos de uma atividade predominantemente reativa em um processo de antecipação.

Todo indicador precisa ser acompanhado em tempo real?

Não. E esse é outro aspecto interessante da experiência compartilhada pelo Hospital do GRAACC. Na instituição, existem dashboards com atualização em tempo real, outros acompanhados em D-1 e indicadores com frequências diferentes. A decisão depende da necessidade de cada processo.

Um painel utilizado no pronto atendimento para acompanhar etapas de um protocolo pode exigir atualização imediata porque existe uma ação assistencial associada ao dado. Já um indicador destinado a uma análise gerencial ou histórica talvez não precise consumir recursos para ser atualizado a cada instante.

Essa priorização também vale para o início da transformação digital. No Weknow Talks, os participantes reforçam que uma instituição não precisa esperar ter uma grande estrutura física ou um Command Center completo para iniciar. É possível disponibilizar painéis nos próprios setores, trabalhar com gestão à vista e priorizar inicialmente os processos mais críticos.

O importante é identificar onde a informação pode gerar valor e começar a estruturar uma rotina de uso dos dados.

Quais aprendizados do Hospital do GRAACC outros gestores podem levar para suas instituições?

Embora cada instituição tenha processos, sistemas e desafios próprios, o case apresentado neste Weknow Talks deixa alguns aprendizados que podem ser aplicados em diferentes contextos:

  • Entenda o processo antes de escolher o indicador: mapear a rotina e conversar com quem executa cada etapa ajuda a evitar métricas desconectadas da realidade.
  • Priorize as informações que exigem ação: existe um volume enorme de dados disponível na saúde, mas nem tudo precisa virar dashboard. O foco deve estar no que realmente ajuda a decidir.
  • Simplifique a visualização: quanto mais próxima da assistência estiver a informação, mais importante é que ela seja direta, intuitiva e fácil de interpretar.
  • Valide com quem produz e utiliza os dados: equipes assistenciais e gestores precisam reconhecer seus processos nas informações apresentadas.
  • Defina a atualização de acordo com a necessidade: tempo real deve estar associado a uma necessidade real de resposta, não ser tratado como requisito para todos os indicadores.
  • Use o dado como ponto de partida para melhorar processos: acompanhar um desvio só gera valor quando existe uma rotina para investigar causas, propor mudanças e medir novamente.

São práticas que ajudam a colocar os indicadores no contexto correto. Em vez de transformar dados em um objetivo por si só, a instituição passa a utilizá-los como apoio para qualificar processos que afetam diretamente a jornada assistencial.

E a dica final, claro, é conferir o episódio completo do Weknow Talks com a Sandra Shiramizo e o Erick Ribeiro para conhecer em mais detalhes a experiência do Hospital do GRAACC. Uma conversa muito valiosa para entender a trajetória da área de Inteligência de Dados da instituição, o processo de construção e validação dos indicadores e exemplos de dashboards utilizados pelas equipes:

Perguntas frequentes

O que é jornada do paciente em oncologia?

É o conjunto de etapas percorridas pelo paciente durante investigação, diagnóstico, tratamento e acompanhamento, envolvendo diferentes profissionais, setores e processos assistenciais.

Como os dados ajudam na jornada do paciente em oncologia?

Eles ajudam a identificar gargalos, monitorar processos, antecipar necessidades e oferecer informações mais claras para decisões assistenciais e gerenciais.

O que foi o projeto Hora Dourada do Hospital do GRAACC?

Foi um trabalho de acompanhamento e melhoria do protocolo para administração do antibiótico na primeira hora em pacientes elegíveis, elevando o resultado apresentado de 60% para 86%.

Todos os dashboards hospitalares precisam ser em tempo real?

Não. A frequência deve acompanhar a necessidade do processo. Alguns indicadores exigem resposta imediata, enquanto outros podem ser analisados em D-1 ou em períodos maiores.

Conclusão

O case apresentado pelo Hospital do GRAACC mostra que avançar na gestão da jornada do paciente em oncologia não significa somente criar mais dashboards ou acompanhar uma quantidade maior de indicadores.

O diferencial está em compreender quais processos realmente precisam de visibilidade, garantir a qualidade das informações, envolver os profissionais que vivem a rotina assistencial e transformar dados complexos em informações simples o suficiente para apoiar decisões.

Os exemplos compartilhados durante o Weknow Talks deixam isso bastante evidente. No protocolo de Hora Dourada, o monitoramento é combinado com mudanças no processo para melhorar um indicador diretamente relacionado ao cuidado. Na gestão de leitos, informações atuais e previsões ajudam a antecipar necessidades. E, na construção dos dashboards, a simplicidade torna a informação mais acessível para quem precisa agir.

No fim das contas, uma cultura orientada por dados não se consolida quando a instituição passa a produzir mais informações, mas quando gestores e equipes conseguem utilizá-las para compreender melhor seus processos e tomar decisões que qualifiquem, de fato, a jornada do paciente.

Para que isso aconteça, a tecnologia precisa estar conectada às perguntas e prioridades da instituição. E é essa visão que orienta o Command Center da Weknow, que centraliza dados e indicadores estratégicos em painéis desenvolvidos de acordo com a realidade e os objetivos de cada organização.

Com uma visão mais clara e integrada dos processos, gestores e equipes conseguem identificar pontos de atenção, acompanhar resultados e agir de maneira mais proativa. Agende uma demonstração e descubra como a plataforma pode apoiar a gestão da sua instituição e a jornada dos pacientes:

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